pedagogia

II.2 Do construtivismo ao construcionismo ao conectivismo

Na história das ideias, as correntes de pensamento com “ismo” no sufixo tendem a ser matéria de cisma, constituindo fracturas marcantes no pensamento e na forma de conceber as relações sociais e a condição individual perante elas (e.g, na política, o “comunismo” versus o “capitalismo”; ou, na educação, o “behaviorismo” versus o “construtivismo”). O “conectivismo” que aqui passaremos brevemente em revista corresponde a um corpo de ideias que tem vindo a ser desenvolvido com esse nome desde 2004 essencialmente por dois autores, ambos canadianos – George Siemens[33] e Stephen Downes[34]. Não é seguro que venha futuramente a conquistar um lugar como “ismo” destacado das teorias da aprendizagem, no entanto, pelas preocupações que trás na adaptação entre a nova organização da sociedade em rede e os modelos de educação que ela deve seguir parece-nos digno de nota.

Na definição dos seus proponentes “o conectivismo é essencialmente a asserção de que o conhecimento é enredado[35] e distribuído, e que o acto de aprender é a criação de e navegação em redes” (George Siemens, 2008a) ou a “teoria de que o conhecimento e a aprendizagem podem ser descritos e explicados usando princípios de redes”, sendo o “acto de aprender equivalente ao desenvolvimento de uma certa configuração neural” (Downes, 2005) e o conhecimento um processo de reconhecimento de padrões; de construção de significado pelo estabelecimento de conexões.

Assumindo que uma ideia nova é mais frequentemente a recuperação de ideias velhas em novos contextos - e portanto que os segundos mudam mais do que as primeiras, meramente recriadas (George Siemens, 2008b) – o conectivismo declara-se herdeiro compatível com a teoria da actividade e a ideia de acordo com a qual os artefactos medeiam a interacção social; da aprendizagem situacional; da teoria social cognitiva de Bandura (de onde é importante reter o processo de modelling como aprendizagem por observação, com corolário na garantia da Atenção, Retenção, Reprodução e Motivação[36]), das ideias sobre a cognição distribuída, dos teóricos dos Media como McLuhan e das teorias do caos e da complexidade – à semelhança, entre nós, de Coutinho & Junior (2007) - bem como das teorias sociológicas mais recentes sobre a sociedade em rede para finalmente propor como características especificamente suas e inovadoras:

  1. A aplicação de princípios da organização em rede à definição tanto do Conhecimento como da Aprendizagem; o primeiro entendido como padrão particular de relações; a segunda como criação de novas ligações/conexões e padrões;
  2. A faculdade de unificar os níveis de abordagem ao problema da aprendizagem biológica (à maneira do cognitivismo de Piaget, com as suas “etapas do desenvolvimento”) e cultural, propondo que a mesma estrutura de aprendizagem que cria as ligações neurais pode ser encontrada na maneira como associamos ideias e nos ligamos a outras pessoas e fontes de informação [tese para que encontramos igualmente suporte em Goleman (2006), com a sua concepção da inteligência como produto da “cognição social” e a ênfase que coloca na necessidade de garantir ao longo da vida “conexões saudáveis” bem como no papel da “conectividade correctiva” à luz da qual podemos entender a participação em comunidades de aprendizagem];
  3. A colocação do foco na inclusão da tecnologia como parte da nossa distribuição da cognição (para esse efeito, valorizando as bases de dados a par da interacção social; na medida em que se o “conhecimento é o estabelecimento de conexões” ele pode ser logrado tanto a partir da segunda como das primeiras – contribuindo para a unificação das dicotomias “sociabilidade”-“conteúdos”; “relação pedagógica”-“limites da máquina enquanto facilitador da aprendizagem”);
  4. Especial reconhecimento da importância do contexto e do directo impacto da sua natureza fluida na aprendizagem; isto é, de que o ambiente e a forma como influencia as relações estabelecidas altera os resultados da aprendizagem e é mais importante do que qualquer noção de “conhecimento pré-determinado”. Proposição das noções de ecossistema ou “ecologia de aprendizagem” - ambiente que fomenta a criação e manutenção de comunidades e redes de aprendizagem.
  5. Argumentação de que a abundância e rápida circulação da informação eleva a necessidade de construção de significado, coerência e compreensão à preocupação primordial da aprendizagem; portanto, tentativa de conciliar as mudanças na informação e comunicação com a educação.

Se para Jonassen, os computadores são “ferramentas que ajudam a pensar”, para os conectivistas os dispositivos móveis em rede devem ser vistos como “ferramentas que ajudam a estabelecer conexões significativas”. Da mesma maneira, se para o construcionismo de Papert as mãos estão conectadas ao cérebro, aprendendo-se tão melhor quanto mais pela manipulação prática e pela construção de produtos com significado pessoal, para o conectivismo os cérebros ligam-se naturalmente uns aos outros; ensino e aprendizagem são sociais por natureza e o conhecimento, mais do que estar “na rede” é “a rede” (recuperando o chavão de McLuhan - “o Meio é a mensagem” - a rede é o conhecimento) e aprender uma questão de estabelecer ligações dentro de ecologias do conhecimento pela sobreposição dos nichos de aprendizagem pessoal (campo dos ambientes pessoais de aprendizagem, a que regressaremos adiante) com os múltiplos círculos de interesses em que se participa.

Apoiando-se na teoria da cognição distribuída, consoante avançada por Hutchins (1996), o “construcionismo distribuído” de Resnick (1996) propunha aliás já algo de parecido; reconhecendo que a cognição e a inteligência não são propriedades de um indivíduo para sim o resultado da interacção do indivíduo com o ambiente circundante, composto tanto por pessoas como por artefactos. Sentido em que os dispositivos de comunicação móveis surgem como ferramentas que devem auxiliar a manipulação ambiente e permitir a discussão, a partilha e a colaboração no processo da elaboração das construções.

Para a cognição distribuída o conhecimento é uma representação da realidade que se atinge através de memórias, factos e informação disseminados no ambiente circundante (Y. Rogers, 1997); sendo propósito educativo modelar a troca de informação entre “representações” - presentes tanto no espaço mental interior como exteriormente - e as actividades cognitivas vistas como cálculos mentais através da propagação de estados representacionais de acordo com uma lógica de que “comunicação é conhecimento” e relação seja interna – como representação daquilo que já se sabe – seja externa, por contacto com as “representações” alheias (os diversos indivíduos trabalhando junto numa tarefa colaborativa comum possuem naturalmente diferentes tipos de saberes e experiências que os levam a envolver-se em interacções mutuamente enriquecedoras e, pondo as diferentes competências em comum, a executar melhor as tarefas; sendo o todo maior do que a soma das partes).

Em consonância com as críticas mais comuns, de que o conectivismo peca por um pendor excessivamente filosofante, contentando-se em explicar o mecanismo de formação do conhecimento pela conexão sem chegar a responder à questão essencial de o que é que torna a informação significativa, na nossa perspectiva, conforme ressaltado por Downes (2005) é ainda assim sobretudo de valor como teoria sobre a natureza do conhecimento que pretende responder às questões sobre como ele se forma e ocorre; e qual a sua natureza além dos conteúdos.

No estado corrente da facilidade de acesso à informação, mais importante do que saber como ela se transmite ou deglute é a capacidade de a seleccionar e instantaneamente aferir que porções delas à disposição merecem ser perseguidas ou colocadas de lado. Nesta medida, o conectivismo advoga (G. Siemens, 2004) a necessidade de nos movermos além das acepções clássicas do ensino-aprendizagem (ver Tabela 4 e Tabela 6), sugerindo a obsolescência da concepção do conhecimento como um “estado a que se chega”, comum tanto ao objectivismo do behaviorismo (a realidade tem uma existência externa ao indivíduo, sendo apreendida pela experiência, pelo que o que importa é o resultado abdicando a pedagogia de tentar compreender os mecanismos internos para se centrar nos meios de alteração do comportamento) como ao pragmatismo que orienta o cognitivismo (o sentido está na utilidade ou efeito prático sendo o conhecimento um constructo simbólico e mental e a preocupação da pedagogia desenvolver os meios para o inserir na memória do aprendente) e mesmo ao interpretativismo em que se funda o construtivismo (a realidade é uma construção individual, interior, sendo o conhecimento construído e o propósito da pedagogia fornecer fórmulas autênticas para a criação de significado).

Assim, o conectivismo invoca a teoria do caos para propor que o significado se impõe e a tarefa que cabe ao aprendente é tanto “construi-lo” como “reconhece-lo”; uma vez que se trata de uma construção partilhada entre uma comunidade de falantes, a sua apreensão é matéria de reconhecimento de padrões, uniformidades e nexos lógicos pré-existentes e a participação dialógica em comunidades de aprendizagem ou prática um instrumento de alinhamento do conhecimento pessoal com o conhecimento público.

Tabela 4 - Mudança de paradigmas na educação

 

Passado

Presente

Emergente

Teorias de Aprendizagem

Behaviorismo
Objectivismo

Cognitivismo
Construtivismo

Navegacionismo
Conectivismo

Posição da Informação

Recolha de Informação

Geração de Informação

Navegação na Informação

Acção sobre a Informação

Fornecimento de Informação

Gestão da Informação

Facilitação da Informação

Adaptado de acordo com Brown (2005a).

Na superabundância da informação, é preciso agir mesmo na ausência da plena compreensão; a “acção é necessária sem aprendizagem pessoal”, existindo inteligência na simples selecção do que se lê e do que se descarta. A promoção de competências de “metacognição”, na acepção por ex. de Pinto (2001), como “conhecimentos de uma pessoa sobre o âmbito e limites da mente humana e dos respectivos processos cognitivos” e de “auto-regulação”, surgem como condição da aprendizagem e da capacidade de abstracção e universalização.

O conectivismo partilha com o construtivismo a ideia de que o conhecimento não é adquirido nem tem existência como se fosse uma “coisa”; difere no entanto dele na medida em que também não o entende como “prepositivo”, no sentido cognitivista e de acordo com o processo piagetiano de adaptação e organização. Para os conectivistas o conhecimento consiste literalmente no conjunto das conexões formandas pelas acções e pela experiência; pode consistir em parte em estruturas linguísticas, mas na sua essência não está baseado nelas. As conexões formam-se espontaneamente, por um processo de associação natural e não de construção.

Em suma: o conectivismo implica uma pedagogia que procura descrever as condições de ocorrência de redes bem sucedidas (caracterizadas pelas suas propriedades de autonomia, abertura e conectividade) e identificar as práticas que a elas conduzem. O “conhecimento conectivo” assume uma forma além da clássica dicotomia quantitativo-qualitativo; à margem do “idealismo” para que, na forma radical, remete o construtivismo (Castanon, 2005), recupera e expande ideias do associacionismo em como o conhecimento é atingido através da associação de ideias seguindo os princípios de semelhança, continuidade espacial e temporal e causalidade (veja-se ainda a tabela de síntese no Apêndice 9: Comparação do conectivismo com as teorias de aprendizagem dominantes no passado).

 


[33] Página pessoal: http://www.elearnspace.org

[34] Página pessoal: http://www.downes.ca/

[35] No original networked (ou seja, “ligado em rede”, “conectado”). Parece-nos no entanto que soltamente entendido o termo português “enredado” (“envolto em rede”) é igualmente passível de capturar a realidade descrita, evitando o anglicismo.

[36] Não por acaso, coincidentes com o modelo ARCS de John Keller (com sítio oficial em: http://www.arcsmodel.com/) relativo à necessidade de assegurar a Motivação pela garantia da presença social e pela modelação da aprendizagem assegurando a Atenção, Relevância, Confiança e Satisfação do aprendente. Sendo um aspecto central da aprendizagem à distância, a “motivação” como acção sobre o objecto, manipulação e cooperação já vem aliás de Piaget e da forma como este perspectiva as operações cognitivas e o desenvolvimento em termos senso-motores.

II.3 Web Social e Web Móvel 2.0.

Será a mobilidade a característica saliente da próxima geração da WWW?

Como é sabido Internet e WWW não são sinónimos; enquanto a primeira se reporta a uma realidade tecnológica (a ligação em rede de dispositivos computacionais) o segundo conceito reporta-se à realidade dos conteúdos e formas de comunicação que a primeira torna possíveis. Assim, em meados da década corrente, o think tank Tim O´Reilly (2005) popularizou o conceito de Web 2.0 em função da identificação de sete tendências emergentes – que hoje, meia década depois, podemos dar por razoavelmente adquiridas e materializadas[37]:

  1. A Web como plataforma (com existência independente dos dispositivos com que a ela se acede e a disponibilização de aplicações dinâmicas, passível de auto-actualização do conteúdo e de suportar a colaboração);
  2. A aglomeração da inteligência colectiva (através das possibilidades da hiperligação e de tecnologias de sindicância tipo RSS, mas também de referenciação mútua tipo Tecnorati no caso dos blogs bem como em plataformas como os wikis et caetera);
  3. O império dos dados (a noção da Internet não como uma “grande biblioteca” mas antes uma grande “base de dados”; em que o locus está menos na “disponibilidade” do que na “acessibilidade” e nas facilidades de pesquisa);
  4. O fim dos ciclos de lançamento do software (correspondente à passagem da concepção do software como produto para ser oferecido para a de um serviço preocupado com a interoperabilidade e com maior abertura no desenvolvimento ao input dos utilizadores);
  5. A emergência de modelos de programação leves (linguagens de segundo e terceiro nível, aligeiradas, separando o conteúdo do desenho e facilitando o maneio por não programadores);
  6. Software acima do nível do dispositivo individual (independente das plataformas);
  7. O enriquecimento das experiências do utilizador (tanto em termos multimédia e da riqueza de formatos, como a nível da personalização e lato senso a promoção de todos os utilizadores ao estatuto de produtores potenciais de conteúdo).

De encontro às preocupações do nosso projecto, não faltou quem, na sequência, tenha pretendido reconhecer um paralelo sentido evolutivo na internet móvel, falando da passagem da Mobile Web 1.0 (correspondente a tecnologias tão pouco bem sucedidas como o WAP, que nunca se conseguiu impor ao nível do iMode japonês) à Mobile Web 2.0. É o caso recente de Kuklinski, Brandt & Puerta (2008) – o primeiro autor ainda da obra em linha que atingiu assinalável projecção Planeta Web 2.0. Inteligencia Colectiva o Medios Fast Food  (Romaní & Kuklinski, 2007) – os quais, na senda de Joakar & Fish (2006), fazem notar a especial adequabilidade da Web 2.0 aos dispositivos móveis:

  1. A emergência de aplicações baseadas na WWW reduz a carga computacional dos dispositivos cliente e adequa-se às reduzidas capacidades de memória e processamento típico dos smartphones e similares;
  2. A capacidade de ferramentas como o Twitter ou o Jaiku em operarem um entrosamento do SMS para gerar ambientes de diálogo e comunidades informais de utilizadores segundo o perfil de interesses (o que colateralmente, note-se, representa um desafio face aos modelos monopolistas tipo Pay Per View originalmente prosseguidos pelos operadores – por ex. na disponibilização de conteúdos multimédia, inclusive os famigerados “toques”);
  3. A convergência das tecnologias não só tem o resultado óbvio de permitir o aumento no número e variedade dos dados e formatos disponibilizados como refina as possibilidades da sua classificação e recombinação (por exemplo, através da inclusão automática de informação de localização via GPS no EXIF dos ficheiros Jpeg produzidos pelas máquinas fotográficas; posteriormente passível de processamento seja por motores de busca, seja do tratamento e inclusão em aplicações dedicadas e contextos reais – via por ex. o entrosamento do Flickr com o Google Earth, como camada, potenciando na prática que uma imagem colocada por um indivíduo no seu blog venha a ser disponibilizada sobre o exacto local onde foi capturada);
  4. O fim da dependência dos ciclos de lançamento de software e a emergência da filosofia de distribuição através de widgets (suportados tantos pelo iPhone como por ex. pelo Opera Mobile) permite ao utilizador maior facilidade no acesso aos dados ao mesmo tempo que reduz os requisitos de execução das aplicações e a necessidade de updates permanentes (que, no caso dos telefones, tradicionalmente com sistemas operativos proprietários, significava simplesmente a aquisição de um novo modelo);
  5. A complementaridade óbvia que o uso de linguagens cross-platform permite e o carácter integrador de tecnologias como a AJAX que facilitam a disponibilização da informação no contexto de outra informação, em múltiplas camadas;
  6. A capacidade de aceder aos mesmos conteúdos e funcionalidades independentemente dos dispositivos (e.g. a existência de versões móveis a par das pensadas para desktop – por ex. o Facebook móvel, o Mobile Google Maps et caetera.
  7. A facilidade das tecnologias de localização em alimentar as aplicações com informação passível da disponibilização de conteúdos à medida.

Independentemente da numeração atribuída e dos instantes no tempo reconhecidos como marcantes nestas etapas (2003 é normalmente apontado como ano de viragem), elas valem como conceitos e traduzem o posicionamento da indústria e dos profissionais. Um posicionamento que não é indiferente, antes paralelo, às percepções da pedagogia; é assim que o mobile learning pode ser equacionado como parte do movimento da Web 2.0 ou como coincidente com uma aflorante Web 3.0; que uns, como Spivak (2009), antevêem a médio prazo (numa década) enquanto outros, como O´Reilly (2007), percepcionam a breve trecho – como espécie de Web 2.5.

Tabela 5 - Comparação entre a web 1.0 e a web 2.0

 

Web 1.0

Web 2.0

Modo

Leitura

Escrita partilhada

Unidade mínima de conteúdo

Página

Mensagem-post-artigo

Estado

Estático

Dinâmico

Modo de visualização

Navegador

Leitor RSS

Arquitectura

Cliente-Servidor

Serviço Web

Editores

Webmasters

Todos

Protagonistas

Geeks

Entusiastas

Fonte: Castaño et al.(2008, p. 33)

Se a Web 2.0 foi marcada pela descoberta do poder da “inteligência colectiva”[38]; a Web 3.0 deverá ser marcada por um regresso às formas de automação na gestão de uma informação que simplesmente atingiu valores impossíveis de lidar. A Web semântica propõe-se equilibrar a balança com soluções híbridas que flexibilizem a indexação dos conteúdos e ao mesmo tempo aprendam automaticamente com as acções do utilizador, de forma a reconhecer e ir de encontro às suas necessidades. É por exemplo já correntemente o caso do Twine.com - seguindo a lógica FOAF[39], um misto de motor de busca e comunidade de interesses que agrupa os utilizadores e atende aos seus perfis nas pesquisas - ou do Hakia.com, motor de busca semântica que propõe como alternativa aos algoritmos de page ranking do Google um agrupamento por conceitos – que saiba associar a pesquisa de “limão” a “citrino”, “fruticultura”, “limonada” et caetera - mais do que por palavras isoladas.

Na lógica da teoria da evolução cultural e dos memes, tal como os genes, enquanto unidade básica adaptativa, trata-se de decompor a informação nos seus componentes mais básicos para depois a poder agregar, extraindo significado dos dados e permitindo a pesquisa inteligente bem como novos modelos de publicidade[40]. Teremos assim uma WWW dotada de inteligência própria, capaz de obrar sobre os dados como uma linguagem natural, com um refinamento do tagging através das especificações RDF para um paradigma de “memeficação” em que os dados possam ser processados por inteligência artificial, sem depender exclusivamente dos humanos  - o projecto DMOZ.org, por exemplo, mostra o inglório desse esforço; noutro extremo uma aplicação curiosa da complementaridade homem-máquina, com a devolução para o processamento da segunda do input do primeiro, pode ser dada pelo Google através do seu sistema de catalogação de fotos, sob a forma de um jogo onde dois “humanos” se põem de acordo sobre o que estão a ver ao mesmo tempo que ajudam a catalogação[41].

Se dúvidas houver quanto à natureza “móvel” desta nova etapa da WWW, alguns números as desfazem. Por exemplo[42], a nível mundial, presentemente, vendem-se quatro telefones por cada computador existindo já mais telefones (inclusive ligados à internet) do que computadores e televisões.

A ubiquidade e omnipresença dos dispositivos móveis converte-os no primeiro meio de comunicação massificado verdadeiramente pessoal. Mais importante, a Web 3.0 promete resolver o problema do reconhecimento do “contexto” – crítico para fins educativos – alargando-o além do “ambiente” strictu sensu à construção do perfil do utilizador (i.e., à antecipação daquilo que ele já sabe) pelo reconhecimento das suas acções e deslocações tanto no espaço como no tempo; tal é possível pela imbuição de sensores cada vez mais aperfeiçoados que admitem mesmo a possibilidade de um diálogo semântico máquina-a-máquina e prometem optimizar a nossa gestão do tempo (ex.: os PNA c/ actualização das condições viárias/de tráfego; para um desenvolvimento vejam-se os parágrafos finais da parte III.3).

 


[37] Para maior detalhe veja-se por ex. Prácticas Educativas en Entornos Web 2. (Castaño, Maiz, Palacio, & Villarroel, 2008, p. 18 e seg.s).

[38] Com as dores de parto associadas – designadamente as questões de “credibilidade”, com a necessidade de encontrar modelos de validação da informação, de que a Wikipédia, com o seu modelo próprio de peer review e auto-regulação pela comunidade é um estudo de caso eloquente.

[39] Acrónimo da expressão em inglês Friend of a Friend (amigo de um amigo). Existindo sobre a forma de um projecto (http://www.foaf) tornou-se comum para descrever genericamente os esforços para a criação de uma ontologia capaz de converter os computadores em agentes inteligentes passíveis de processar a informação de forma a antecipar os intentos dos utilizadores particulares.

[40] Apoiados em bases de dados que representam provavelmente um refluxo face à tendência que a revista Wired e C. Anderson (2008) baptizaram de long tail – a faculdade de os pequenos produtores fazerem dinheiro atingindo nichos de mercados muito específicos e pouco numerosos que de outra forma não seriam rentáveis. O programa Google Adsense, por exemplo, que alimentou o boom da Web 2.0, com a progressiva generalização foi para os pequenos produtores de conteúdos uma galinha dos ovos de ouro que se esgotou à medida que os custos por clique diminuíram para valores irrisórios ao mesmo tempo que a empresa monopolizava o grosso da publicidade online.

[41] Pode ser experimentado em: http://images.google.com/imagelabeler

[42]De acordo com dados facultados pela Irish Internet Association: http://www.iia.ie/resources/download/330

Apêndice 1: Da importância do ensino informal, da aprendizagem situada e das comunidades de prática

Ao longo deste trabalho vimos como o mobile learning é saudado como exponenciador da aprendizagem informal na medida da capacidade dos seus instrumentos em manter uma presença constante na vida dos utilizadores; tratar-se-á de uma forma de aprendizagem moldada ao contexto (ver I.4) e portanto “situada”. Um observador mais atento que se debruce sobre as teorias da aprendizagem a propósito carreadas, constatará porém com alguma perplexidade, sendo catecúmeno na área, a existência de uma vasta e dificultadora nebulosa semântica, com o uso umas vezes contraditório outras unívoco de expressões como “aprendizagem informal” e “não-formal”; “situada” (Wenger e Lave) ou “contextual” (Dewey, Kolb); “continuada” ou “permanente” (Faure); “ao longo da vida” (lifelong) ou “em todos os domínios da vida” (lifewide) [Memorando SEC(2000) 1832]; “autêntica” (Rogers) ou “aumentada” (Klopfer); “co-intencional” (Freire) ou “auto-dirigida” (Knowles); “conversacional” (Laurillard, na senda de Pask), “colaborativa” ou “convivial” (Illich), para dar apenas alguns exemplos.

A abundância de adjectivos é tão surpreendente quanto o facto de o substantivo qualificado ser quase invariavelmente a “aprendizagem” e apenas excepcionalmente o outro termo inextricável do binómio presente no paradigma tradicional da educação: o “ensino”; sendo raríssimos os textos que se debruçam sobre o “ensino móvel” (mobile teaching). Se tal é compreensível na óptica de uma tomada de partido pela deslocação do enfoque para o empowerment do aprendente, torna-se rapidamente uma contradição intolerável porquanto, na prática, e nos estudos de caso focados pela literatura, se constata com igual prontidão serem invariavelmente aplicações das tecnologias móveis ao serviço de um currículo; com apoio de um professor, segundo objectivos pré-determinados e portanto propostos exteriormente; logo experiências enquadráveis no ensino formal e escolar. É desde logo o caso do vigoroso debate corrente sobre o uso dos telemóveis “na sala de aula” que se quer apresentar como uma faceta do mobile learning quando claramente, reduzido a esses estritos termos, se configura bastante aquém do seu pleno (ver por ex. o Apêndice 8: Aplicações educativas dos dispositivos móveis).

Tabela 9 – Diferenças entre as aprendizagens formal, não-formal e informal

 

Formal

Não-Formal

Informal

Intencionalidade

Consciente programada

Consciente semi-programada

Inconsciente

Temporalidade

Limitada

 

Ilimitada

Espacialidade

Confinada

Parcialmente confinada

Deslocalizada

Enquadramento

Sistémico pré-determinado

Sistémico não pré-determinado

Autónomo

Gestão

Existência de uma entidade Promotora

(instituição de ensino ou formação)

Existência de uma entidade Promotora

(predominantemente associação cívica ou sócio-profissional)

Próprio aprendente

(auto-regulada)

Tutoria

Presença de professor ou tutor

Presença de um facilitador

Apoio nos pares

Qualificação

Atribuição de um grau ou diploma

Certificado de conclusão

Melhoria das competências

Resultados

Explícitos. Especificados Externamente

Especificados Internamente

Implícitos

Avaliação

Atribuição de nota
Somativa

Tendencialmente formativa

Inexistente ou pela prestação

Suportado por Eraut (2000) e The Encyclopaedia of Informal Education (em linha: http://infed.org).

A prática do mobile teaching and learning, como deveria ser chamado, tem-se mostrado mais conservadora do que a teoria que lhe serve de base; uma teoria cujas preocupações se podem remontar ao debate da “educação permanente”, nas suas diversas metamorfoses, desde a asserção seiscentista de Comenius (que aliás dá o nome ao Programa de financiamento da “Aprendizagem ao Longo da Vida” da União Europeia) de uma didáctica norteada pela preocupação de “Ensinar tudo a todos” ao Relatório sobre a Instrução Pública (Condorcet, 2008) apresentado à Assembleia Nacional, em plena revolução francesa, onde já se propunha no prólogo como propósito da educação “assegurar a cada um a facilidade de aperfeiçoar a sua indústria”, para no seu número sete textualmente se escrever que “a instrução não devia abandonar os indivíduos no momento em que saem das escolas, devia abraçar todas as idades, que nela não deveria deixar de estar presente o que quer que fosse útil e possível de aprender, e que esta segunda instrução é tão mais necessária quanto aquela da infância foi mantida nos limites mais estreitos.”

A consciência da educação como processo individualizado, que deve acompanhar as necessidades concretas de cada na sua “indústria” (isto é, naquilo que faz) é por conseguinte antiga e tão evidente como - consoante no-lo explica a Antropologia – o facto de o processo de enculturação ser predominantemente relacional, processando-se a aprendizagem naturalmente nas sociedades humanas, antes e ao arrepio mesmo do surgimento do “Estado”, em condições incipientes de organização política[79], como as encontradas entre as sociedades recolectoras em que o saber se transmite verbalmente e marca mediante ritos iniciáticos, parcialmente substituídos, com o advento da sociedade industrial, pelo convénio da “instrução primária”.

 A “escolaridade obrigatória” e respectivo diploma de conclusão, correspondentes à “secularização” do saber e à construção das modernas nações como “comunidades imaginadas” em condições de solidariedade capazes de suportar a organização burocrática do estado burguês e demoliberal, com a especialização do trabalho e a divisão social de tarefas – de que eram veículos uma língua comum, uma “história” e um referencial de símbolos partilhados, facilmente reprodutíveis nos “recreios” (o mastro de bandeira desfraldada, a entoação do hino)[80] – corresponde, conforme bem observado por Leadbeater (1999, p. 111), a um “rito de passagem envolvendo a aquisição de conhecimento suficiente e qualificações para adquirir uma posição na vida adulta” que deve hoje ser substituído pela preocupação de desenvolver capacidades além da literacia e da capacidade de cálculo, num plano cívico alargado, para o saber agir responsavelmente face aos outros, tomar a iniciativa e trabalhar de forma criativa e colaborativa.

No que toca a nossa discussão, convém assim ter presente – e pilotada a discussão por tecnófilos isto frequentemente não sucede, adoptando-se visões pobres que têm como desfecho a invenção da roda - que antes da “autoridade do especialista”, encartado pela “coisa pública” (que em última análise se “apropriou” do ensino – veja-se entre nós a expulsão dos Jesuítas pelo ministro do soberaníssimo D. José I – o regulou, financiou e avança os modelos do seu controlo), a primeira forma de legitimidade na transmissão do saber foi, no terreiro da aldeia, a da experiência adveniente da idade; de onde toda a pedagogia “moderna”, virada para a aprendizagem pela actividade, situacional e social ter bastante menos de “originalidade” do que à primeira vista se quer crer.

O “natural” sempre foi o carácter informal tácito e situacional da aprendizagem; num contínuo histórico, o “desvio” saliente, foi a institucionalização da educação. Pode-se assim, à escolha, afirmar tanto numa óptica legitimista que o mobile learning recupera e fornece as condições para a prossecução do projecto educativo da modernidade como, numa lógica reaccionária, permite retomar a aprendizagem autêntica dos “aprendizes” das corporações medievais por ela artificiosamente interrompida, como, finalmente, numa lógica de ruptura, para permitir ultrapassar ambas.

Assim, se a aprendizagem constantemente foi e é “permanente”, a “educação” por seu turno nem sempre cumpriu a obrigação de a acompanhar. Se outrora o debate era político e filosófico, no plano da igualdade de oportunidades, ao longo do século XX foi-se progressivamente tornando num imperativo económico.

Em Osorio (2005, pp. 17-54) encontramos um panorama histórico das concepções sobre a “educação permanente”, desde a primeira ocorrência do termo “aprendizagem ao longo da vida” (lifelong learning), em 1919, no imediato pós I Guerra, no relatório que o britânico Lloyd George apresentou ao Ministério da Reconstrução sobre a necessidade da educação de adultos até ao memorando de 2000, no espírito do Conselho de Lisboa, sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida da Comissão Europeia que estende o conceito à aprendizagem “a todos os domínios da vida” (lifewide learning); evoluindo-se progressivamente da ideia da “aprendizagem permanente” como processo de “educação de adultos”, seja de forma recorrente seja com carácter formal e intermitente, com a previsão de “pausas” na vida profissional para frequentar acções educativas, conforme a acepção dominante nas décadas de 60 e 70, para um modelo de “cidade educativa” onde, para além de uma “Pedagogia da Necessidade” (o típico desempregado levado a reciclar competências para poder continuar activo pese embora “nauseado” com uma formação imposta) se proclama uma “Pedagogia da Liberdade” que concebe a educação holisticamente como um “tesouro a descobrir” (Delors, et al., 1996), na visão da UNESCO um Direito Humano e um imperativo democrático que prolonga os espaços educativos para abarcarem tanto a família, como o meio comunitário, os meios de comunicação e o mundo laboral, numa inter-relação mútua onde já não basta assimilar conteúdos educativos mas se tornou necessário adquirir instrumentos de compreensão (Aprender a Conhecer) e acção sobre o meio envolvente (Aprender a Fazer) bem como desenvolver competências relacionais (Aprender a Viver)  para se “Ser” de forma completa. 

É para o desafio do alargamento dos “contextos educativos” que as tecnologias e dispositivos de comunicação móveis vêm precisamente fornecer os meios; aproximando e preenchendo a tradicionalmente artificiosa descontinuidade entre os modos de educação formal, informal e não formal.

Sobre a distinção entre estas, um ponto bom ponto de partida é o citado Memorando da Comissão Europeia sobre a Aprendizagem ao Longo da Vida SEC(2000) 1832; no qual encontramos as seguintes definições:

“Aprendizagem Formal. Aquela que decorre em instituições de ensino e formação e conduz a diplomas e qualificações reconhecidos.

Aprendizagem Não-formal. Decorre em paralelo aos sistemas de ensino e formação e não conduz, necessariamente, a certificados formais. A aprendizagem não-formal pode ocorrer no local de trabalho e através de actividades de organizações ou grupos da sociedade civil (organizações de juventude, sindicatos e partidos políticos). Pode ainda ser ministrada através de organizações ou serviços criados em complemento aos sistemas convencionais (aulas de arte, música e desporto ou ensino privado de preparação para exames).

Aprendizagem Informal. Acompanhamento natural da vida quotidiana. Contrariamente à aprendizagem formal e não-formal, este tipo de aprendizagem não é necessariamente intencional e, como tal, pode não ser reconhecida, mesmo pelos próprios indivíduos, como enriquecimento dos seus conhecimentos e aptidões.”

A cada uma as tecnologias móveis têm um contributo a dar; um contributo a título complementar para o ensino formal, com ou sem diploma (mobile teaching), e  - a todo o espectro – um contributo a dar para a aprendizagem móvel (mobile learning) que, além dos graus de ensino, abrange a aprendizagem não intencional que caracteriza o ensino informal (ver Tabela 9 – Diferenças entre as aprendizagens formal, não-formal e informal).

Assim mesmo, uma confusão comum na literatura sobre o mobile learning deriva a nosso ver do uso sinónimo de "aprendizagem" e "educação”. A primeira é constante, tácita e omnipresente, a segunda pressupõe intencionalidade e moralidade (promoção de um conjunto de valores); a primeira (mobile learning) pode ser vista como uma forma espontânea de estar e pensar, a segunda (mobile teaching) como criação de um ambiente de aprendizagem favorável – artificiosamente estável no ensino presencial; ductilmente adaptável no caso da aprendizagem aumentada pelas TIC.

Consoante a intencionalidade da aprendizagem resida então no aprendente ou no exterior, nalguém que desenhou o percurso para ele, podemos falar de “educação” ou de “aprendizagem” móveis; sendo que no segundo caso estamos nos domínios da aprendizagem auto-dirigida enquanto à primeira a podemos definir como “facilitação e suporte do mobile learning”.

Não chegam porém a ser necessariamente “duas faces da mesma moeda”, embora correspondam a um divisa comum, porquanto a “aprendizagem móvel”, já o apontámos, é mais extensa e pode existir, nos domínios libertadores da auto-aprendizagem e da criação de ambientes pessoais de aprendizagem sem “educação móvel”; embora nada impeça que a competência na construção destes também se ensine.

É útil separar os dois porque ocupam nichos com operacionalidades diferentes; ao aplicar as tecnologias móveis no ensino formal estamos essencialmente a falar de mobile teaching (pode levar ao desenvolvimento de actividades fora da "sala de aula" mas existe intencionalidade e enquadramento curricular – o fiat permanece dentro).

A educação é sempre "consciente"; a aprendizagem não. O aprendente pode no entanto escolher deliberadamente um padrão de aprendizagem mais formal (curricular) ou mais informal (conversacional). Por isso, se não tiver mais utilidade, como conceito meramente “administrativo”, a noção de "ensino informal" serve para nos recordar dos limites de que a "escola" tradicional dispõe como modelo educativo.

"Aprendizagem situada" e "aprendizagem informal" por seu turno são realidades sobrepostas mas não coincidentes; mormente por a "aprendizagem situada" poder aplicar-se a um ambiente formal (vista a sala de aulas como comunidade de prática).

Existe uma contradição latente entre a defesa de que a aprendizagem informal é situada - e logo inerentemente social - e a ideia de que é uma forma de auto-aprendizagem - e logo inerentemente individual.

Na realidade a educação informal tem que ser a um tempo "social" e "individual"; a ponte entre as duas dimensões é operada pelas tecnologias móveis que permitem ao indivíduo "dialogar" onde quer esteja. Assim, e em suma, da necessidade eminentemente sociológica da “educação permanente” chegámos ao modelo eminentemente pedagógico da “aprendizagem situada” e deste, pela via das teorias relativas à “cognição distribuída” e à “participação periférica legítima”, veio-se – na sociedade em rede, mediada pelas tecnologias da comunicação – impor a participação nas “comunidades virtuais de prática e aprendizagem”[81] como instrumento óbvio de desenvolvimento pessoal, relacionando a aprendizagem com o conjunto da vida social.

 


[79] A propósito desta matéria veja-se Balandier (1980).

[80] Sobre esta matéria e o debate “primordialismo” versus “perenialismo” versus “modernismo” do nacionalismo vejam-se por exemplo os clássicos de Anderson (1991), Hobsbawm (1998), Smith (1983) bem como as aplicações subsequentes de Riviére (1988), Billig (1995), Llobera (2000) e Spencer & Wollman (2002). Por outro lado, o uso do telemóvel e a comunicação móvel como interacção ritual, com o seu efeito integrativo – a “liturgia” das TIC, conforme praticada pelo grupo e enquanto prática coesiva - são extensamente abordados por Ling (2008, p. 7 e seg.s).

[81] Para uma genealogia compreensiva e particularmente sintética do conceito veja-se Illera (2007) que adopta a definição operacional de Hunter (2002): “uma comunidade virtual é definida como um grupo de pessoas que interagem entre si, aprendendo com o trabalho das outras e proporcionando recursos de conhecimento e informação ao grupo, em relação a temas sobre os quais há acordo de interesse mútuo.” Por outro lado, os factores que influenciam a dinâmica da formação dos grupos foram explicados por Tuckman (1965, reimp. 2001). Em Portugal, uma aplicação recente é minuciosamente descrita na tese de mestrado apresentada à Universidade de Aveiro, Comunidades Online de Sucesso. O sentido de comunidade nas interacções colaborativas on line (Filipe, 2008).